Cabine cheia de passageiros presos às cadeiras antes da decolagem.

Meridiano

Gente comum, presa na mesma cadeira que você.

Ninguém aqui é astronauta. A cabine sobe inteira, de uma vez.

Céu pálido de amanhecer visto da torre de lançamento.

Por enquanto, só o céu de sempre.

É a última vez que ele vai parecer grande.

Oito minutos e meio.

Você não vai gostar de nenhum deles.

É o preço, e é curto.

O veículo subindo, ainda dentro da atmosfera, sobre a coluna de exaustão.
Passageiros sem peso, cintos soltos, cabelo flutuando, todos olhando para o mesmo lado.

O motor corta e ninguém fala nada.

Os cintos sobem sozinhos. É assim que você descobre que chegou.

A borda da Terra vista da órbita, com a camada azul da atmosfera contra o preto do espaço.
A Terra ocupando o quadro inteiro, oceano, sistemas de nuvens e a linha âmbar do terminador.

Ela não cabe na janela.

Dois passageiros flutuando de costas, olhando pela escotilha.

Você vai voltar. A cabine também.

O voo é curto e a fila é de gente que também nunca subiu. Quando abrir a próxima janela de lançamento, dá para reservar assento.

Meridiano Página de demonstração. O veículo é ficção.